
Pesquisas online ajudam a prever internamentos por asma
Equipa da FMUP e do CINTESIS conclui que há uma correlação entre os termos pesquisados nos motores de busca e o número de hospitalizações por situações de asma. Uma análise cuidada pode ajudar a prever a ocupação de camas e adequar os serviços.
Um estudo internacional que envolveu investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do CINTESIS (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde) concluiu que é possível usar dados das pesquisas feitas pela população em motores de busca para ajudar a comunidade médica e científica a prever o número de hospitalizações por asma. Esta conclusão “poderá permitir uma adequada preparação hospitalar face às necessidades futuras, tendo como objetivo principal uma melhor prestação dos cuidados de saúde aos doentes”, refere a Universidade do Porto.
A equipa correlacionou dados do Google Trends para avaliar as pesquisas que os utilizadores fizeram online com o número de hospitalizações por asma, ao longo de cinco anos, em cinco países. No caso concreto de Portugal, a equipa determinou que existiu uma forte correlação das pesquisas online com as hospitalizações ocorridas entre 2012 e 2016, situação idêntica à que se verifica no Brasil e em Espanha. Na prática, quando os utilizadores mais procuram termos associados a esta doença, acabam por verificar-se mais internamentos.
Bernardo Sousa Pinto, professor da FMUP e um dos autores do estudo, explica que “a asma representa um encargo substancial para os sistemas de saúde, sendo as hospitalizações um dos principais impulsionadores dos custos relacionados”, cita o magazine de notícias da Universidade do Porto.
Além da ocorrência de doenças do trato respiratório superior, como as constipações, que constituem um dos principais fatores de risco para pacientes com asma, a previsão de padrões de hospitalizações pode ainda passar a incluir outros fatores como a poluição do ar ou a exposição ao pólen. Com todos estes vetores correlacionados, vai ser possível criar um modelo matemático que permita ajustar a capacidade hospitalar, no que toca a camas, recursos humanos e materiais, para fazer face a um previsível aumento da procura.
A restante equipa que esteve envolvida no estudo foi constituída pelos investigadores João Almeida Fonseca e Alberto Freitas (FMUP/CINTESIS), bem como pelos investigadores internacionais Jaana I. Halonen, Aram Antó, Vesa Jormanainen, Wienczyslawa Czarlewski, Anna Bedbrook, Nikolaos G. Papadopoulos, Tari Haahtela, Josep M. Antó e Jean Bousquet.
Fonte: Exame Informática